Meditação e a diluição do Yoga

O Yoga é tão amplo que isso, muitas vezes, chega a ser um problema para os professores e praticantes. Essa amplidão associada à falta de comprometimento com uma linhagem tem feito com que o assunto “Meditação” seja um dos menos populares no Yoga moderno.
Acredito que alguns dos sinais (mais evidentes) da grande diluição que o Yoga tem sofrido devido a essa falta sejam:
-crença em técnicas e não na relação de aprendizado entre professor e aluno.
-excessiva preocupação com os aspectos físicos da prática, que tradicionalmente é apresentada com o propósito de reduzir nossa ansiedade e possibilitar maior direcionamento mental;
-ausência de clareza sobre qual é o propósito fundamental do caminho do Yoga.

 E o que é Meditação no sistema do Yoga?

Para começar, não é tentar “esvaziar a mente”. A meditação é o exercício de acalmar aquilo que é mais superficial para poder enxergar aquilo que é mais profundo. Nossas insatisfações e ansiedades nos acostumaram a um comportamento emocional viciado, que praticamente nos impede o acesso a esse olhar “calmo”. Exemplificando: Facilmente enxergo a raiva, mas dificilmente enxergo que ela nasce da frustração de um desejo. E, se consigo enxergar o desejo que a originou, raramente vejo que fui eu quem o criou. E, se eu consigo chegar ao ponto de enxergar que eu sou o pai desse desejo e, por conseqüência, dessa raiva, raramente tenho discriminação e conhecimento suficientes para perceber que a grande intensidade desse desejo nasce da minha incapacidade de encontrar satisfação e contentamento em mim mesmo.
E se consigo, na prática (e não na fácil tarefa de apenas escrever isso no facebook), dar todos esses passos, raramente tenho a humildade de assumir a responsabilidade perante o outro (que provavelmente a essa altura já pagou o pato)…
Refazer esse caminho até a fonte do problema muitas e muitas vezes a partir de situações reais que invadem nosso dia-a-dia e nossas relações é meditação. Meditar é treinar a capacidade de não enxergar só o que é mais aparente e ter a humildade de enxergar que meu maior problema sou eu.

By |2019-06-07T11:08:02-03:004 de junho de 2013|Categories: Artigos|Tags: , |0 Comentários

Sobre o Autor:

Jorge Knak
Professor de Yoga, Funcionário Público, pai de três filhos. Dedica-se ao Yoga na tradição de Krishnamacharya. Estudou na Índia com os Profs.TKV Desikachar, Kausthub Desikachar, S. Sridharan, Dr. Chandrasekaram e outros. Desde 2013 estuda com o Prof. Paul Harvey (Inglaterra), aluno direto de TKV desde 1976 e criador do "Centre for Yoga Studies" em Bristol.

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